Margarette Mattos: quando a Arte resgata vidas

Nereide Santa Rosa

Em tempos de isolamento social, a busca pela justiça social e o grito da sociedade se tornaram mais fortes, abrangentes, significativos e determinantes. E a Arte acompanhou esse movimento de explosão de sentimentos que estavam guardados esperando um motivo para mostrar a sua força. Logo após esses movimentos eclodirem, surgiram manifestações artísticas para representá-lo: painéis, grafites, pinturas, arte digital, e tantas mais ainda irão surgir.

A Arte é conhecimento, é história, é compreender o que somos e o que fomos. A Arte nos faz conhecer culturas diversas, nos faz aceitar o outro e a diversidade cultural de povos e países. Conhecer diferentes artistas, suas histórias e as diversas mídias visuais amplia a nossa leitura de mundo e nos faz compreender a história de cada ser humano. Margarette Mattos é um dos nomes mais atuantes no panorama das artes visuais dos brasileiros nos Estados Unidos. Seu ateliê em Cambridge, Massachusetts, demonstra sua intensa produção, em meio a telas, pinceis, pigmentos e a diversidade de materiais que utiliza em suas obras. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas em diversas cidades nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, com grande sucesso de público e da crítica especializada, por suas obras de arte. Ganhou diversos prêmios e reconhecimentos, entre eles o “Focus Brasil Visual Awards”.

Margarete nos conta sobre sua vida e trajetória.

Nereide Santa Rosa: Conte um pouco sobre o seu percurso profissional.

Margarete Matos: A Arte surgiu em minha vida há cerca de 30 anos, em Vitória, Espírito Santo, durante um período difícil em razão de uma depressão. Já estava casada e com filhos. Por sugestão de meu marido, entrei em um curso de Arte e me apaixonei. Comecei então a participar de eventos e exposições, e desenvolvi uma técnica própria e única, trabalhando com minérios e pigmentos. Desde então, estou envolvida com o mundo maravilhoso da Arte.

NSR: Qual é a sua inspiração para suas obras?

MM: Vejo as obras de arte como portais. Quando produzo penso em portas e janelas que me levam para um mundo de cores, texturas e emoções. Vou então, seguindo minha intuição, reforçada pelo contato de minhas mãos, meus instrumentos de trabalho, com os materiais que utilizo, criando minhas obras.

NSR: Como você define o seu estilo de Arte visual?

MM: Minhas obras podem ser definidas como “arte expressionista abstrata”, composta por figuras geométricas com cores fortes, materiais únicos e texturas diferenciadas.

NSR: Comente sobre a sua participação no Focus Brasil Visual Awards.

MM: Detentora de diversos prêmios e reconhecimentos, considero os mais importantes os recebidos durante os eventos do Focus Brasil Visual Awards, criado por Carlos Borges, em razão de serem votados inicialmente pelo Board do Focus e, no último estágio, pelos próprios artistas, o que lhes assegura uma importância ímpar.

NSR: Deixe uma mensagem para nossos leitores.

MM: Estou envolvida agora, junto com o artista Sid Degois, no projeto “Mostra sua Cara”, que acontece na plataforma Zoom, de segunda-feira à sexta-feira às 7:10 pm horário da costa leste. No “Mostra sua Cara” batemos um papo com os convidados, pertencentes a várias áreas profissionais, principalmente ligadas às artes. Também, com a criação e envolvimento no projeto “VidArte”, onde trabalho com pessoas que sofrem de depressão através da Arte, sempre digo que “Arte não é só um quadro na parede, Arte resgata vidas”.

Experimentem!