Mercados se animam com proposta de fusão entre Renault e Fiat Chrysler

A possibilidade de fusão entre a Renault e a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) começa a ganhar forma, após a reação positiva dos mercados e a decisão do grupo francês de estudar “com interesse” a proposta da concorrente ítalo-americana.

A operação resultaria na maior aliança do setor automotivo do mundo no quesito vendas – 15,5 milhões de veículos por ano – caso seja incluída a contribuição das japonesas Nissan e Mitsubishi, aliadas da Renault.

O conselho administrativo da Renault se reuniu em maio e decidiu estudar a proposta da Fiat Chrysler por considerar que a iniciativa “reforça a marca industrial” do grupo francês e “gera valor adicional” à aliança.

A Renault não estabeleceu nenhum prazo para examinar a proposta da Fiat Chrysler, mas detalhou que, por uma questão jurídica, a operação não poderá ser submetida à assembleia de acionistas do dia 12 de junho.

De acordo com a fabricante francesa, a operação pode demorar entre um ano e 18 meses. O diretor-executivo da FCA, Mike Manley, disse em carta aos trabalhadores que a operação talvez demore “mais de um ano”.

O grupo Fiat Chrysler calcula que a fusão com a Renault proporcionaria uma sinergia de mais de 5 bilhões de euros anuais, valor que se somaria ao derivado da aliança com Nissan e Mitsubishi. Segundo a FCA, o faturamento do grupo resultante beiraria os 170 bilhões de euros e o lucro líquido superaria os 8 bilhões.

Segundo a proposta, a fusão – que cotaria nas bolsas de Paris, Milão e Nova York – pertenceria em 50% aos acionistas da FCA e 50% aos da Renault. Por isso, e para diminuir a disparidade de valor nas bolsas, os acionistas da FCA receberiam um dividendo de 2,5 bilhões de euros.

Segundo uma fonte próxima à operação, a proposta sugere que o grupo resultante seja presidido por John Elkann, presidente da FCA, e que o presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, seja o diretor executivo.

Fontes da empresa francesa disseram que ainda é cedo para especular sobre a definição dos cargos. A fusão não acarretaria no fechamento de instalações, segundo a FCA.

Um dos principais sindicatos da Itália, a Federação Italiana de Metalurgia (Fim Cisl), pediu para que o Tesouro italiano participe da operação, mesmo que simbolicamente.

Além disso, uma porta-voz da Renault indicou que a proposta da FCA está aberta à incorporação da Nissan, o que pode ser interpretado como um gesto para forçar a empresa japonesa a sair da inércia na qual parece ter mergulhado desde que veio à tona o escândalo do ex-presidente Carlos Ghosn.

Após a detenção de Ghosn no Japão, a Renault sugeriu dar um passo à frente na cooperação e transformar a aliança em uma fusão, algo que gerou uma firme oposição em Tóquio.

O presidente de Nissan, Hiroto Saikawa, declarou que está “aberto ao diálogo” sobre a proposta da FCA.

No âmbito político, a porta-voz do governo da França, Sibeth Ndiaye, mostrou a posição “favorável” do Estado à operação desde que as condições sejam benéficas para a empresa e os empregados. O Estado francês possui 15% das ações da Renault.

Tanto a Renault como a Fiat Chrysler Automobiles dispararam na bolsa após confirmarem que negociam uma possível fusão.

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