Romero Britto: a marca de um artista

Ao pesquisar, estudar e escrever sobre brasileiros de sucesso nos Estados Unidos se torna inevitável comentar Romero Britto, esse artista que adotou o mundo como sua casa desde a década de 1980.

As formas de Romero Britto cativam milhares e custam milhões. As linhas definidas, as cores sem sombras, as formas simplificadas de suas obras são reconhecidas em múltiplos países. Romero Britto se tornou um ícone, além de ser uma celebridade internacional. Ele criou uma marca que encanta diferentes culturas e povos pela singeleza do seu design.

Muitas pessoas podem se questionar por que isso ocorre? Qual seria o motivo de seu sucesso?

Com certeza há múltiplas justificativas pessoais, como perseverança, acreditar em si mesmo, criatividade.

Mas vamos conversar sobre o apreciar de suas obras. O que vemos e como elas nos cativam? Por que as suas obras se tornaram marcas de produtos diversificados, retratos de celebridades, esculturas comemorativas, roupas, adereços e muito mais?

Para começo de conversa, imagem é comunicação. As imagens produzidas por Britto são extremamente comunicativas: quem as aprecia, imediatamente reconhece a forma e a fácil mensagem do artista. Essa proximidade do publico é um meio que facilita a transmissão da mensagem e auxilia a captura do olhar de quem a aprecia. Nas suas obras não existe um ponto focal na imagem: ele ocupa todo o espaço, define toda a composição. Não há partes que se destacam.

Quando decidiu ser artista, Romero, nascido em Recife em 1963, foi em busca de uma linguagem visual que representasse um mundo colorido, alegre, positivo. No período em que esteve na Europa, Britto ficou fascinado pelas cores de Matisse, pelo cubismo de Picasso, pelo uso das linhas de Mondrian. Mas tudo isso ainda não era o suficiente para o artista. Atravessou o oceano e veio para Miami. Aqui a pop art de Andy Warhol já estava consolidada desde a década de 1960, assim como a arte de Roy Lichtenstein, inspirada em grafismos de história em quadrinhos, e de Keith Haring cujos grafites coloriram os muros de New York com mensagens ativistas.

Eram tempos de arte pública, de arte próxima do público, de proximidade entre arte e mercado. Romero Britto assimilou esses tempos, e criou imagens voltadas para o grande público se engajando nos caminhos da globalização. Ganhou espaço tanto no mundo da Arte como no merchandising.

 

Detalhe do Houston Mural, Keith Haring, New York

Desde então, as cores puras intensas inseridas em formas estilizadas são apreciadas tanto em galerias, museus e leilões, ou por transeuntes em praças, assim como estão disponíveis para qualquer pessoa que queira adquirir produtos decorativos com sua assinatura.

Britto diversificou sua produção, avançando com voracidade para o mundo comercial, fato que se tornou possível a partir da valorização da sua produção como artista. Romero Brito escolheu relacionar sua identidade, forjada na infância nas ruas de Recife, a uma marca reconhecida nas cidades do mundo.

Quem passa pelo terminal 8 no Aeroporto JFK em New York encontra a escultura de sua autoria como uma mensagem de boas-vindas da cidade. A obra representa New York e foi doada por Eunice Kennedy Shriver em 8 de junho de 2011. É muito provável que a maioria dos passageiros que passam por ali, reconheçam seu design, cujo conceito também está presente num objeto decorativo que leva sua assinatura e está disponível para venda em uma vitrine num centro comercial.

Com tanto sucesso tornou-se inevitável que sofra críticas, análises mais profundas, estudos acadêmicos, e alguns críticos ferozes. O leitor mais crítico pode se perguntar se suas obras seriam uma arte acessível ou uma marca comercial? Trata-se de um objeto decorativo ou de um objeto artístico?

É bom lembrar que arte representa ideias, conceitos e intenções de quem a produz e para quem é produzida. As obras de Romero revelam uma dicotomia entre a obra que permanece além dos tempos e um produto feito para consumo global.

Romero Britto continua em sua trajetória. Hoje é uma celebridade que realiza inúmeras ações sociais contribuindo para instituições renomadas ao redor do mundo, inclusive teve a honra de ser selecionado várias vezes como porta-voz das artes no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Realmente um brasileiro marcante num mundo tão diversificado.

 

 

 

 

 

 

 

 

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