O verdadeiro Baurú

Peter Peng em São Paulo

O verdadeiro Baurú é servido no Ponto Chic, restaurante de São Paulo. Localizado a poucos metros do Shopping Paulista, quase em frente à Praça Oswaldo Cruz, o Baurú, graças à reforma ortográfica, agora é o Bauru. Casimiro Pinto Neto, apelidado Bauru, na verdade não inventou o sanduíche que leva o seu nome. O Bauru, o dono de um restaurante, o Ponto Chic, estava um dia com muita fome. Era 1937. Pediu para um sanduicheiro, chamado Carlos, falecido, para abrir um pão francês, tirar o miolo e por um queijo derretido dentro.

O Carlos, cujo sobrenome ficou perdido para a história, misturou quatro queijos: suíço, prato, goude, e estepe, derretidos em banho maria, e encheu o pão. Já ia fechando quando o Bauru pediu para ele colocar fatias finas, mas não muito finas, de rosbife, por cima do queijo. Novamente, o Carlos ia fechando o sanduíche quando o Bauru pediu para juntar alguma vitamina. O Carlos juntou fatias de tomate fresco e de pepino em conserva. Esse foi o primeiro bauru, que depois se espalhou pelo Brasil, e depois mundo, pelos restaurantes brasileiros que foram imigrando.

Nesta mais recente visita ao Brasil, fui a um dos três Ponto Chic de São Paulo. Fui de metrô. Como funciona esse metrô. Estação Vergueiro. No meio do caminho, encontrei o um dos múltiplos centros ou espaços culturais de São Paulo, maravilhoso, e depois fui ao Ponto Chic, e pedi um bauru. Já veio com a opção de rosbife quente ou frio. Bem, grande coisa. Mas claro, queria quente.

Mas o que mais me interessava é saber como o bauru se espalhou sem franquias. Mesmo que o nome tivesse sido registrado, já teria passado a domínio público. Pela lei de marcas e patentes, isso tem um prazo. Não me lembro bem quanto tempo, apesar de ter vivido disso por alguns anos no passado. Bem. Vá lá. Não é a primeira coisa da qual me esqueci.

O importante foi a experiência de ir ao Ponto Chic e curtir o verdadeiro bauru. Depois, cinemas de rua, neste caso, o Belas Artes, cinema histórico, que se manteve por ter sido tombado, preservado como história, vi um filme que será 100% garantido, candidato a Oscar, “The Professor and the Madman”. Mais um pouco de São Paulo. Em outras edições terá mais.

Um bom bauru para todos!

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