Ostentação nunca esteve tão fora de moda…

Amaury Jr.

O decreto é dos principais colunistas de moda do mundo, com endosso de gente que conta, como Anna Wintour e Donatella Versace. A vida é uma festa onde se entra sem ser convidado e se sai antes de terminar. Isto posto, a sugestão é adestrar a consciência e tentar ser lembrado por coisas úteis e o que envolve a consciência do coletivo. É muita gente pobre, é muita criança morrendo, são outras pandemias que o COVID  desabrochou para a nova reflexão… Todo mundo adora gente rica, rica de afeto, rica de educação, de gentileza. Gente rica de assunto, que não deixa a peteca cair. Gente que sacode a gente, puxa a corda, inventa o tempo e nos pōe para cima. Essa gente é que enriquece a gente.

O que eles estão pedindo é um cessar-fogo nessa exposição incontrolável das pessoas. Hoje, no entanto, toda lógica passa pelo “ estou aqui, prestem atenção em mim, não me esqueçam”. Guimarães Rosa chamou isso de viver em voz alta. É hora de trocar a comunicacao do “cá estou”, “fale comigo” seja como e onde for.   

“Se não retornarem eu entro em depressão”, é o grito dos desesperados. Estão permanentemente conectados com os outros a ponto de perder a conexão consigo próprios, algo compulsivo e insano. As pessoas se sentem agoniadas quando ficam fora de alcance. É como se o isolamento, o silêncio e a privacidade, expatriassem a criatura. É uma inversão total de percepção.

Só nos sentimos vivos quando associados pelos que estão de fora. Para sustentar este estado de coisas vem a ostentação, a era do egocentrismo e agora com a pandemia as pessoas acordam asfixiadas, enjoadas, sem ânimo e sem paciência para continuar sustentando a pose, correspondendo as expectativas, buscando metas irreais, vivendo de frente para o espelho e de costas para o mundo. A ordem é simplicidade, conforto, exibir luxo, riqueza ou sofisticação tornaram-se agressivos e de mau gosto.