Picadas que salvam

Na década de 1960, frequentar escola primária em São Paulo era uma delícia. O ensino do Português adotava o “Caminho Suave” como atalho para aprender o idioma de A a Z. As aulas de Matemática eram um temor aos alunos que tinham talento para as Artes. Para mim, Ciências liderava as matérias de Português, Matemática, História, Geografia e Educação Moral e Cívica. Só perdia para Educação Física, a minha preferida, que apesar da chatisse da ginástica, as aulas terminavam com uma boa partida de futebol, vôlei, basquete e handball. 

O inconveniente era ter que passar pelo maldito exame médico em público. Pior que o constrangimento de abaixar as calças, -assoprar o punho para o doutor descartar uma hérnia inguinal-, era ter que mostrar o atestado de vacinação atualizado. 

Na lista das vacinas deveriam constar as doses contra a BCG, tuberculose, catapora, sarampo, caxumba, tétano, rubéola, difteria, hepatite, coqueluxe, poliomelite e varíola. 

Os métodos de aplicação variavam entre uma simples gotinha na língua, às doídas picadas de agulhas -uma aqui; outra alí- chegando-se à crueldade da raspagem na pele através do uso de um aparato de vidro.

Passado mais de meio século, entendo que a dor na infância não foi em vão. Reconheço que as vacinas salvam vidas.

A curto prazo temos que respeitar as mortes pelo Covid-19. A médio prazo temos que enfrentar uma crise econômica. A longo prazo temos que ter esperança de um mundo melhor.

Que nós, seres humanos, tenhamos coragem para rever nossos valores.       Feliz 2021!

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