Qualidade de vida é pauta na Flórida

Nereide Santa Rosa

Conheça essa brasileira que está se tornando uma referencia no tema tão necessário e atual sobre aquecimento global e melhoria da qualidade de vida. Patricia Fraga, moradora na Flórida, é mãe de 5 filhos, arquiteta e urbanista, escritora, palestrante internacional, professora, PhD em arquitetura e possui PhD (ABD) em Educação. Fundadora e Chief Happiness Officer na Abayomi LLC, diretora executiva na Abayomi Academy e presidente da Planeta Etica Inc, tem experiência multidisciplinar e intercultural, navegando na Engenharia, Construção, Tecnologia, Educação, Educação a Distância, Cidades Inteligentes, Sustentabilidade, Promoção da Felicidade, Pesquisa e Inteligência, entre outras. 

Nereide: Conte para nossos leitores sobre seu percurso profissional e como foi a sua opção de vir morar na Flórida? 

Patricia: Desde criança, eu já demonstrava interesse pelos temas relacionados ao urbanismo e à arquitetura. Me lembro que, aos 11 anos, desenhei uma “cidade ideal” e, ao entrar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA, anos mais tarde, descobri que havia desenhado uma “cidade-jardim”. Também sempre fui muito inquieta em relação a conhecer o mundo, outros idiomas e outras culturas. Estudei inglês, francês, espanhol, catalão e japonês, dança afro, flamenco, ballet e capoeira. Na adolescência, participei de grupos de acolhida a estudantes de intercâmbio que chegavam na Bahia. Recebemos uma estudante da Costa Rica que passou a ser minha irmã, mais tarde minha comadre e vive em Maryland. Nunca fui apenas arquiteta e urbanista. Meu sangue estava ligado à educação. Com pais educadores, fiz meus estudos na faculdade de arquitetura e minha prática na faculdade de educação. Participei do programa pioneiro em Educação a Distância no Brasil, pela Faculdade de Educação da UFBA em 1990. Ao concluir o curso, queria morar em outro país, viver uma experiência internacional e fui aceita no Doutorado na Universidade Politécnica de Catalunha, aos 21 anos e me mudei para Barcelona. Um ano depois de me mudar, meu irmão mais velho faleceu, decidi voltar para Salvador e fiquei na ponte-aérea por mais 2 anos. Ainda realizando o doutorado, comecei a dar aulas em cursos de pós-graduação, depois entrei para a universidade e segui a carreira acadêmica com docência e pesquisa em diferentes universidades no Brasil e no exterior, paralelamente à carreira de consultoria nos temas de ambientes, educação e tecnologia. Em 2014 nos mudamos para Maryland com o objetivo de dar uma oportunidade para os filhos de viver outra cultura e aprender o inglês. O que seria temporário já leva mais de 7 anos e virou permanente. Em 2018 nos mudamos para a Flórida pelas oportunidades de trabalho, para ficar mais perto do Brasil e fugir do frio. Continuo trabalhando com arquitetura, urbanismo, tecnologia e educação através da Abayomi LLC e da Abayomi Academy em contato com profissionais dos quatro cantos do planeta.

Patricia Fraga

Nereide: Sobre seus projetos literários que envolvem sua família, como foi esse processo de descoberta sobre ser arquiteta, escritora e produtora? 

Patricia: Meus pais, Nívea Rocha e Fernando Floriano Rocha, eram escritores e herdei deles essa paixão. Meu pai escreveu seu primeiro livro técnico quando tinha 19 anos e ainda estava entrando na universidade. Eles sempre foram minha inspiração e principais apoiadores. Eu gostava de escrever contos e poesias, mas só fui começar a publicar depois de concluir a faculdade. Comecei publicando textos para o jornal A Tarde de Salvador sobre Educação Ambiental e Urbanismo, há mais de 25 anos. Publiquei diversos artigos científicos em português e alguns em inglês e artigos para livros também. A parceria com meus pais me levou a me inserir ainda mais nesse meio. Eu gostava de saber o que estavam fazendo, aprender e contribuir. Colaborei nos 17 livros da coleção “Educação, Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social: fazendo recortes na muldisciplinaridade”, realizada por minha mãe ao longo de 15 anos. Ela também foi a responsável por inserir meus filhos nessa jornada de autores. Foi com ela que eles começaram a escrever o “Planeta Ética” entre 3-11 anos de idade. E não pararam mais. Acredito que o incentivo e o exemplo da família contribui para despertar o amor pela leitura e pela escrita, como outras habilidades também.

Nereide: Conte sobre a Abayomi e sua proposta sobre Cidades Inteligentes.

Patricia: Meus interesses na arquitetura e no urbanismo eram voltados para a sustentabilidade e o bem estar, desde criança, quando desenhei a tal “cidades-jardim”. As pesquisas na área da tecnologia e da construção despertaram o interesse pelo estudo das Cidades Inteligentes. Mas o fato de ser denominada “inteligente” e focar exclusivamente em tecnologia, me incomodava. Em 2014, logo após me mudar para os Estados Unidos, comecei a estudar as Cidades Felizes e desenvolver uma análise crítica sobre estes conceitos. Em 2018 tive a oportunidade de apresentar minhas ideias na Assembléia de Cidades Inteligentes na Georgetown University, com a proposta de evolução do conceito de Cidades Inteligentes para Cidades Inteligentes e Felizes e esse foi o começo do que hoje é a Abayomi – uma empresa de consultoria voltada à promoção de ambientes que além de fazerem o uso mais inteligente dos recursos disponíveis, ajudam a promover a felicidade das pessoas. A Metodologia Abayomi foi desenvolvida a partir de anos de estudos e discussões com uma equipe de profissionais multidisciplinares, a maioria brasileiros, e “costurada” juntamente com meu amigo e colega arquiteto, Arnaldo Lyrio, do Rio de Janeiro. Nessa metodologia, a análise dos ambientes envolve não somente a parte física do espaço, mas é complementada com proposta de gestão inovadora, de comunicação, de relações humanas e de saúde e bem estar. Após a pandemia, a discussão sobre promoção da felicidade a partir dos ambientes tem se intensificado ainda mais. As pessoas não querem apenas morar em uma casa legal ou ter um trabalho que pague bem. Elas querem ser felizes nas suas casas e nos seus trabalhos. E a Abayomi ajuda a conquistar esse ambiente. Por ser um tema muito novo e haver uma demanda muito grande por educação, surgiu a Abayomi Academy, uma associação de membros sem fins lucrativos com o objetivo de cuidar da parte educacional e de pesquisa relacionadas a essas temáticas. Entre as atividades que a associação oferece, temos a revista SHE – Smart & Happy Environment, que reveza publicação em português e inglês e o blog disponível para os associados, com matérias e contribuições de profissionais internacionais multidisciplinares. Cursos de certificação nos temas também são oferecidos para membros, profissionais em geral e empresas.

Nereide: Quais as próximas atividades que vocês vão realizar? 

Patricia: Em novembro, a Abayomi Academy estará realizando o II Smart Cities, Happy Citizens World Summit 2021, online, promovido em parceria com o Instituto Happiness do Brasil (São Paulo), com o intuito de inspirar profissionais para esse novo mundo pós-pandemia. Teremos palestrantes de diversos países do mundo trazendo suas experiências e conhecimento. O evento acontece em português e inglês. Workshops presenciais estão sendo planejados para São Paulo e Salvador para novembro e outras atividades para 2022, incluindo países da Europa e Ásia no roteiro. A Abayomi está formalizando parcerias com investidores e empresários para a criação de novos empreendimentos no Brasil e nos Estados Unidos que já vão nascer baseados no conceito de ambientes inteligentes e felizes. 2022 promete ser um ano de muito trabalho, conexões e realizações.

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