Quando será o fim da pandemia?

José Roberto Vasconcelos

Segundo especialistas em medicina, uma doença é derrotada quando se desenvolve uma vacina segura que traz o fim do contágio entre as pessoas. Mas isso deve demorar pelo menos um ano.

Então a pandemia vai demorar ainda um ano ou mais?

Creio que não. O fim da pandemia virá antes da vacina, antes do fim da doença.

Se observamos o comportamento de pandemias anteriores, o fim virá quando a população, já tendo convivido com os problemas, se habitua com a nova realidade, com os perigos que corre e passa a adotar novos hábitos de proteção, novos hábitos de higiene, novos comportamentos e cuidados.

Os sistemas de saúde, que se mostraram precários em todos os países, aprendem as lições e passam a prover melhores equipamentos, mais leitos, melhor atendimento, procedimentos e medicamentos mais eficientes, atingindo baixos índices de mortalidade.

Assim todos se sentem seguros para voltar à nova normalidade.

Esse processo mostra o que espero que aconteça “após a pandemia”, no que se refere a novos hábitos pessoais e no atendimento médico à população.

Nos demais aspectos penso que as mudanças provenientes do isolamento social virão muito mais da aceleração de processos que já vinham ocorrendo.

Na educação, por exemplo, as escolas terão tido experiências em ensino a distância que muitas vinham adiando em função de custos, mas que serão aproveitadas após a pandemia. Metodologias sendo desenvolvidas, plataformas sendo testadas, professores sendo treinados, tudo será aproveitado.

Nos relacionamentos pessoais as experiências virtuais se manterão.  Eventos a distância serão mais frequentes, reuniões virtuais serão repetidas, evitando assim deslocamentos desnecessários, poupando tempo e despesas.

No começo haverá também uma certa desconfiança na aproximação entre as pessoas, com algumas ainda usando máscaras. Se antes, ao entrar no elevador gostávamos de lá encontrar alguém para compartilhar a viagem, agora evitamos a companhia de estranhos, aguardando o próximo para fazer a viagem isolados.

O estrago que o isolamento social vem causando na economia provoca uma verdadeira confusão nas relações contratuais entre pessoas físicas e jurídicas. Muitos não estão cumprindo seus compromissos levando a um efeito dominó: quem não recebe também não paga. Creio que haverá uma grande demanda de processos judiciais por quebras de contratos, nas mais diversas áreas, sobrecarregando os tribunais. A justiça ficará ainda mais lenta do que já é.

O atendimento médico on line é um dos processos que sofrerão aceleração. Em muitos países já vem acontecendo consultas a distância, com prescrição de exames e remédios.

Na economia, sem dúvidas, é onde sentiremos os maiores impactos. A quebradeira das empresas, com a consequente onda de demissões trará a inevitável recessão.  Atingirá fortemente a arrecadação de impostos dos governos que, também tendo que arcar com gastos inesperados para ajudar a população, sofrerão uma explosão de suas dívidas. Diminuirão muito os investimentos públicos.

O home office e o aumento das vendas on line parece que vieram para se intensificar. Empresas vão rever a necessidade de espaços corporativos, causando vacância e consequente queda nos valores de imóveis e aluguéis comerciais.

Com mais pessoas trabalhando em casa melhora o trânsito e o transporte público. Também se espera queda nas vendas de automóveis e de combustíveis.

Muitas pessoas que ficarão sem emprego poderão ser substituídas por máquinas, dificultando ainda mais a volta ao mercado de trabalho.

Após a pandemia podemos esperar mudanças para melhor e outras para pior mas, se observamos a história, o saldo deverá ser positivo.

José Roberto Vasconcelos
Engenheiro, empresário, brasileiro, casado com Monique Vasconcelos, dois filhos, quatro netos. Na década de 1980 atuou na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, como professor e administrador. Em 1991 mudou-se com a família para Orlando onde atuou no ramo de turismo por 11 anos. Neste período fundou e foi o primeiro presidente da Associação Brasileira da Flórida Central, entidade voltada para a comunidade brasileira nas áreas sociais, de cultura e de esportes. Retornou para o Rio de Janeiro em 2002, voltando a trabalhar na Universidade Estácio de Sá, nas áreas financeiras e acadêmicas. Participou ativamente no processo de abertura de capital da Estácio, que levou a empresa a se tornar uma das maiores instituições de ensino superior do país. Em 2012 fundou a Lancelot Empreendimentos, na área imobiliária. Em 2014 iniciou seu primeiro empreendimento em Orlando com o lançamento do Summerville Orlando Resort, condomínio de townhouses voltado para investidores brasileiros. Atualmente atua no eixo no Rio de Janeiro – Orlando com construção e vendas de empreendimentos imobiliários nessas duas cidades.