Recuperação deverá ser gradual

Carlo Barbieri

A reabertura dos voos entre o Brasil e os Estados Unidos fazem florescer novamente as expectativas de muitos dos negócios que têm nos Estados Unidos, em geral, na Flórida e Orlando em particular, e que têm um nível de dependência forte da presença de brasileiros.

Isso se vê em quase todos os aspectos da economia, desde o turismo receptivo: pessoas que  recebem os passageiros nos aeroportos, os que os dirigem dentro da cidade, e oferecem passeios independentemente dos parques de diversão.

Também como os prestadores de serviços em geral, como o aquecimento de piscina nas casas de férias de brasileiros e também ocorrerá aumento do valor da locação das casas assim como nos restaurantes e outros negócios locais.

O comércio em particular, é extremamente dependente dos brasileiros, particularmente aqueles que estão ou estavam habituados a tê-los como o seu grande cliente, pois os brasileiros compram em média de cinco a seis vezes mais do que os turistas que vêm do norte dos Estados Unidos ou inclusive que vinham da Europa quando as fronteiras estavam abertas. Isso lógicamente está criando uma grande expectativa.

Claro, que isto não vai acontecer de uma hora para outra nem na quantidade desejável. O Brasil que normalmente levava aos Estados Unidos cerca de um milhão e duzentos até um milhão e seiscentos mil turistas ao ano. Isso vai demorar um certo tempo para recuperar essa quantidade.

Espera-se mais ou menos algo em torno de mil passageiros por dia para os Estados Unidos, ou seja, 30 mil ao mês, porém contando que esses voos inicialmente estarão distribuídos entre Miami, Nova York e Orlando, teremos um aumento da presença brasileira boa, mas insuficiente para suprir as expectativas dos empreendedores brasileiros na cidade.

As outras companhias que atendem brasileiros, como a Copa Airlines e Avianca tratarão também de atender a demanda dos brasileiros, mas ainda serão insuficientes para todo o público desejado que ficou acumulado durante os últimos dois anos. Mas gradualmente esse fluxo volta a ganhar espaço e defrontando-se com a limitação das empresas de transporte aéreo que ao longo desse tempo encontrarão novas rotas.

As empresas brasileiras de aviação reposicionaram seus aviões para voos domésticos, que não podem ser desassistidos de uma hora para outra. A Azul já está levando seu pessoal para treinar nos EUA , de tal maneira que poderá voltar a voar a partir do dia 8 de novembro, diretamente para Orlando e outras companhias estão fazendo o mesmo.

Há que considerar também que a falta de pilotos nos Estados Unidos vai fazer com que as companhias aéreas que voam EUA-Brasil tenham também dificuldade, não só apenas pela falta de equipamento como também a disponibilidade de pilotos para suas aeronaves.

Outro desafio, para o florescimento do negócio com os brasileiros, que vão ganhar um espaço significativo a partir da reabertura, é a questão dos vistos.

Há uma quantidade muito grande de pessoas que tiveram seus vistos vencidos durante o período da pandemia. Os consulados americanos estão marcando visitas para a renovação de passaporte até o ano de 2023. O cônsul americano em São Paulo espera que deve levar em torno de três anos para acertar toda essa posição de vistos atrasados, além dos novos vistos a serem solicitados.

Ou seja, deverá haver um aumento significativo adicional de uma nova demanda para pessoas que não tinham vistos para os Estados Unidos, e a estruturação do consulado para atender tudo isso não ocorrerá de uma hora para outra, mas de qualquer forma haverá um aumento significativo de brasileiros voltando a viajar para a Flórida. E vale a pena lembrar que o que foi dito pelo próprio ex-governador da Flórida Rick Scott, de que apenas os turistas brasileiros representavam o emprego de 320 mil pessoas na Flórida. Logicamente, esse número deve voltar a crescer de forma significativa a partir de 8 de novembro.

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