Retomando a Arte em nossas vidas

Nereide Santa Rosa

A possibilidade de retomada da normalidade nos Estados Unidos traz a esperança para os artistas, músicos, pintores, e todos os profissionais que trabalham com Arte. A reabertura dos espaços artísticos como museus, orquestras, teatro e dança, nos traz esperança de um tempo de normalidade e a Arte poderá novamente estar próxima de nós, trazendo divertimento e conhecimento. Para reconquistar e rever a Arte, vale a pena relembrar alguns espaços expositivos na Flórida. Na cidade de Naples, um jardim botânico abriga uma ótima surpresa para nós, brasileiros: um mural de Burle Marx, considerado um dos arquitetos paisagistas mais influentes do século XX, premiado pela American Institute of Architects (AIA), em 1965. Ao se inspirar em mais de 50 espécies de plantas nativas encontradas nas paisagens exuberantes do Brasil, ele revolucionou o design de jardins fazendo composições abstracionistas, além de ser o responsável das famosas curvas sinusosas das calçadas de Copacabana. 

Por tudo isso, e muito mais, seu aluno, Raymond Jungles, um arquiteto paisagista norte-americano, instalou um mural de Burle Marx no Jardim Botânico de Naples, cidade localizada na West Coast da Flórida. O parque tem uma área de 170 acres, fundado em 1993, e desde então, incorporou jardins com temas de diferentes partes do mundo. 

O mural de Burle Marx foi instalado em novembro de 2009 no ponto alto de uma praça no espaço Jardim Brasileiro Kapnick, numa especie de palco, acima de uma cascata, podendo ser visto de vários pontos do parque. O mural é composto de um mosaico de 1325 quadrados de cerâmicas vitrificadas coloridas com o tamanho total de 8×17 fts, sendo o único do artista nos Estados Unidos. 

O mural ficou guardado por quinze anos até Jungles se decidir pelo Naples Botanic Garden. Foi montado em três dias de trabalho, e o resultado é maravilhoso. O mosaico colorido com diferentes espessuras brilha sob a luz do sol, refletindo luzes e cores na cascata e no lago, que abriga as nenúfares gigantes da Amazônia, ou para nós, brasileiros, nossa Vitória-Regia, flor de eterna inspiração para as lendas indígenas no Brasil.

Em Miami, o Pérez Art Museum Miami, é uma excelente opção.Localizado à beira da Bay Biscayne, cercado por uma paisagem extremamente generosa na luz e no brilho, o museu oferece espaços amplos com arte de qualidade, exposições de sua coleção permanente e as temporárias. Um dos destaques é o jardim das esculturas com obras de renomados artistas, perfeitamente integradas ao espaço, como a obra do artista brasileiro Ernesto Neto.

E na cidade de Saint Augustine, temos o privilégio de poder conhecer a maior coleção de obras fora da Europa e a maior dos Estados Unidos do pintor catalão Salvador Dali, um gênio da artes.

The Dali Museum possui, até o momento, um acervo com mais de 2100 obras do artista, entre pinturas, fotografias, esculturas e desenhos. O museu possui ainda um teatro, biblioteca, uma loja para os visitantes, um café e um agradável jardim com esculturas incluindo uma espécie de árvore dos desejos, onde os visitantes penduram fitas coloridas.

A premiada arquitetura do seu prédio chama a atenção dos visitantes. O arquiteto Yann Weymouth usou formas geodésicas nas grandes janelas, obra batizada O Enigma, feita com 1062 vidros triangulares à prova de furacão. Em seu interior, a escada em espiral foi inspirada na forma da molécula do DNA, a qual tantas vezes serviu de inspiração para o artista.



Ernesto Neto, Espaço divisório mínimo, 2008 Cor-Ten steel. Collection Pérez Art Museum Miami, gift of Jorge M. and Darlene Pérez. Imagem da autora

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