Tempo de primavera, tempo de ver arte

Neste ano, tivemos a boa notícia de que a marmota Punxsutawney Phil saiu da sua toca por volta das 7h30 da manhã, e não viu a sua sombra! Na tradição americana e canadense, isso significa que a primavera chegará radiante em poucas semanas. Diz a lenda que, em 2 de fevereiro, o dia da Marmota na cidade de Punxsutawney na Pensilvânia, se a marmota Phil sair da toca, vir a própria sombra, e regressar, haverá mais seis semanas de mau tempo. Neste ano, ela não viu a própria sombra e a cidade vibrou com a notícia. Simples assim. Tradição centenária de um país onde o inverno é extremamente rigoroso. Neste ano, a esperança se renova, com a promessa de uma linda primavera. E para aproveitar a nova estação, nada melhor do que muita Arte, visitando espaços ao ar livre e museus.

Nos meses de fevereiro e março acontecem inúmeros festivais de arte que proporcionam aos floridianos, a oportunidade de conhecer artistas pessoalmente, e apreciar obras de variados gêneros e estilos.

E é na Central Flórida, no terceiro final de semana do mês de março, que acontece o mais antigo e prestigiado festival de arte ao ar livre. O Winter Park Sidewalk Art Festival tem sessenta anos e este ano reúne 225 artistas que expõem, gratuitamente, na praça central de Winter Park. Uma festa para os olhos, com arte para todos os gostos que atraem mais de 350.000 visitantes. Caminhando entre as tendas dos artistas e os jardins da praça, os visitantes podem apreciar pinturas, esculturas, gravuras, desenhos, em materiais como aquarelas, óleo, acrílico, assemblage, xilogravuras, ferro, vidro, madeira, barro, e muito mais. Cada curva do caminho oferece uma surpresa ao transeunte. Uma festa que valoriza o artista e reconhece a liberdade de cada um representar esteticamente sua proposta.

Winter Park Sidewalk Art Festival – imagem de divulgação no site oficial https://www.wpsaf.org/

Para aproveitar ainda mais a primavera, um passeio a Miami também pode ser agradável.Caso esteja planejando conhecer um pouco mais sobre arte latino-americana, e prestigiar os artistas brasileiros, o Pérez Art Museum Miami, é uma excelente opção. Localizado a beira da Bay Biscayne, cercado por uma paisagem extremamente generosa na luz e no brilho, o museu oferece espaços amplos com arte de qualidade, exposições de sua coleção permanente e as temporárias. Um dos destaques é o jardim das esculturas com obras de renomados artistas, perfeitamente integradas ao espaço, como a obra do artista brasileiro Ernesto Neto.

Ernesto Neto, Espaço divisório mínimo, 2008 Cor-Ten steel. Collection Pérez Art Museum Miami, gift of Jorge M. and Darlene Pérez. Imagem da autora.

No interior do museu, as obras agradam pela diversidade de temas, e mídias, despertando a curiosidade do observador, intrigando pela forma e pelo contexto. Tudo isso faz com que a visita não seja monótona. Pelo contrário, desperta o pensar e a criticidade. O museu destaca obras dos artistas latino-americanos, de sua coleção permanente, na exposição The Gift of Art. Entre cubanos, mexicanos, colombianos, e chilenos, vale destacar a obra do brasileiro Tunga que predomina em uma das salas.

Tunga, Element 5, 2014, iron., bronze, steel plaster, rubber, Crystal quartzo, linen. Collection Pérez Art Museum Miami. Imagem da autora.

Tunga é um dos artistas mais importantes da arte contemporânea brasileira. Ficou conhecido como o alquimista por se inspirar em ritos ancestrais e tradições milenares em suas esculturas, instalações e performances, sempre de grande impacto e significado. A obra denominada Elemento 5, feita em 2014, é composta de ferro, alumínio, bronze, cristal de quartzo, borracha, linho, terracota e gesso. Uma composição que faz referências a elementos tradicionais brasileiros como os potes de cerâmica organizados verticalmente sobre a armadura de aço. Os cristais de quartzo estão no topo e na base da obra, elementos místicos como se fizessem parte de um rito cerimonial antigo. O linho cria um contraponto com a verticalidade quebrando a aparente harmonia dos elementos superpostos. Seria uma bandeira branca? E a composição seria uma referência feminina? A interpretação fica a critério do espectador.

Se a primavera é tempo de tradições e lendas, nada melhor do que descobrir como a arte representa significados que vão além de um simples olhar. Descobrir as mensagens nas obras de arte é fascinante. Seja numa sala de museu, seja nas ruas e praças públicas.

 

Frank Stella, Quadrant, 1988, mídia mista sobre alumínio. Collection Pérez Art Museum Miami. Imagem da autora.

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