Tudo Passa

Claudia Kaled

Tudo na vida passa…Tudo isso passou. Nossos filhos cresceram, se formaram, são cidadãos do mundo. E nunca deixei de trabalhar e tentar exercer o melhor papel que podia neste contexto.

O tema aqui abordado é sempre um desafio absolutamente válido em minha vida. Requer coragem, tenacidade, consistência e acima de tudo, muita compreensão na vida de qualquer mulher.

Certa vez li que uma das melhores maneiras de se comprender os outros é se colocar em seus sapatos. Só assim podemos realmente compreender, embora não necessariamete justificar, suas ações. Isto também se aplica a nós mesmos, de outra forma: através de uma periódica auto reflexão.

Quando penso na administração deste jogo, com tão delicadas peças, reconheço que cometi inúmeros erros. Minhas convicções de vida evoluíram e reconheço que ainda tenho muito a aprender. Posso comentar aqui algumas lições aprendidas com meus próprios erros.

Cheguei nos EUA em 1997 com um coração apertado e ansioso em relação ao desconhecido com o qual nos deparávamos. Naquela época, aos trinta e um anos de idade, achava que sabia muita coisa da vida, mas a verdade é que nem imaginava o quanto ainda estava por aprender. Aprendi que não era nem um pouco madura. Aprendi que estava finalmente começando a viver minha própria vida como esposa, mãe e, acima de tudo, como mulher cidadã do mundo.

Tentei inicialmente ser a dona de casa perfeita, talvez por que estávamos em uma casa que ainda não era nossa e acreditava no meu papel de manutení-la da melhor forma possível. Esqueci, por exemplo, de estimular meu filho mais vezes, pois era um bebê com menos de dois anos. Ao invés disso, me esmerava em manter um chão ‘spotless’.

Quando já trabalhava com meu esposo em Real Estate, cheguei a bater um carro por estar tentando desesperadamente buscar nossos filhos no “day care”, antes das seis da tarde, ao fim de um dia de despachos no escritório. Infelizmente não percebi uma brusca freiada à minha frente. Não quero com isto dizer absolutamente que em muitas circunstâncias não tenhamos que trabalhar muito mais do que gostaríamos, quando temos filhos em nossa custódia, dependentes de nós.

Graças a Deus, o mundo evoluiu e muitos trabalhos já podem ser efetuados em casa, ‘remote’, em conjunção com trabalhos ‘in loco’. Essas mudanças estavam ainda surgindo em 1997. Equilibrei um pouco mais este desafio trabalhando ‘part time’ por muitos anos em minha vida. A crise recessiva de 2008/2009 invadiu nossas vidas, assim como a de todos os americanos. Mais uma vez trabalhamos bem mais do que gostaríamos. Em 2010, meu marido foi diagnosticado com uma leucemia linfática crônica acarretando numa sobrevivência milagrosa após um transplante de medula óssea e uma subsequente doença autoimune conhecida pelo nome de ‘Guillain-Barré. Mais uma vez este tão desejado equilíbrio se viu ameaçado mediante ações de sobrevivência.

Tudo na vida passa.Tudo isso passou. Nossos filhos cresceram, se formaram, são cidadãos do mundo. E nunca deixei de trabalhar e tentar exercer o melhor papel que podia neste contexto.

Quanto aos relacionamentos em geral, o que mais aprendi até hoje foi: contar com os verdadeiros amigos, pois eles são uma incomensurável fonte de bençãos. Aprendi a contar, acima de tudo, com Deus, pois Ele sim, é uma inesgotável fonte de recursos para o Espírito humano.

Acredito que o espírito feminimo é um espírito MARAVILHOSO. As mulheres são fantásticas quando se despem de pretensões e são acima de tudo honestas consigo mesmas. Possuem uma força inacreditável ao cuidar dos seus e uma perseverança admirável, mesmo frente a adversidades.

 

Julia, Miguel, Ivan e Claudia Kaled