Uma dose de risco calculado

O Boteco

Com a experiência de proprietário de restaurante em polos turísticos como Nova York e Búzios, o empresário José Márcio visitava Orlando, durante a pandemia, quando vislumbrou a oportunidade de assumir a operação de uma casa que já funcionava no coração da International Drive, a uma quadra do Orlando Premium Outlets: o Boteco.

“Foi uma visão de grande risco, porque não dava para saber quando seria o final da pandemia. Mas sabia que esse dia chegaria. E o que são os negócios, senão feitos de riscos?”, revela o empresário, que acumula mais de 30 anos no setor de turismo e comércio.

José Márcio conta que, mesmo atuando em locais tradicionalmente turísticos, sempre se dedica à construção de uma sólida base local de clientes. “É fundamental agradar o morador. É ele que vai falar bem do seu negócio, gerar boca a boca”.

E foi justamente essa direção que fez com que o Boteco venha crescendo sustentavelmente desde que o empresário assumiu os negócios. “Com boa música ao vivo, comida saborosa e transmitindo jogos de futebol, nossos clientes se sentem em casa. São grupos que acabam interagindo entre si para celebrar”, é como a gerente Marry Rua descreve o tom animado dos frequentadores da casa.       

Entre os preparativos para a esperada chegada dos visitantes à cidade, estão previstas a realização de parcerias com empresas de turismo, a colocação de mais mesas na área externa, o melhoramento da estrutura interna, a ampliação e o treinamento de equipes e o fortalecimento da marca online. 

José Márcio se diz feliz com a decisão do governo de retirar a exigência de quarentena. Realista, porém, aponta a escassez de mão de obra e restrições de diversas naturezas para a fabricação de produtos como um dos maiores obstáculos a serem contornados.

“Em função da pandemia, há importantes gargalos logísticos que precisam ser resolvidos, mas que impactam diretamente nas cadeias produtivas das diversas indústrias ao redor do mundo. A redução na produção tem gerado escassez de produtos e aumento de preços. Além do mais, as companhias aéreas encontram dificuldades para atender a demanda reprimida e isso impacta diretamente os negócios em Orlando”, avalia.

Convidado a estimar uma data para o retorno à normalidade, o empresário aposta que “em seis meses tudo deve estar normalizado”, mas alerta: “isso sem a ocorrência de novos fatores, tais como variantes do vírus que escapem das vacinas, ou mesmo, quem sabe, uma pandemia provocada por outro vírus?”

“A lição que se tira da pandemia é a de que nada é certo na vida, que nenhuma cidade é blindada. Ficou mais claro do que nunca que a chance de os negócios sobreviverem e prosperarem em crises depende da capacidade de se operar com custos muito bem controlados”, conclui.

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