Uma história de sucesso – Conheça Adriana Sabino

Nereide Santa Rosa

Recentemente foi destaque no meio literário brasileiro o Festival Literário de Miami com a presença de renomados escritores como Nelida Pinon, Mary Del Priore, Beti Rozen, Toni Brandão e Chico Moura. Organizado sob a batuta de Adriana Sabino, o FLI Miami foi um sucesso reconhecido pela qualidade das palestras e o extremo cuidado de Adriana ao escolher seus palestrantes.

Adriana Sabino é a co-fundadora e presidente do Centro Cultural Brasil-USA da Flórida (CCBU), uma organização não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1997, por voluntários, em Miami, Flórida. Na sua atuação como presidente, ela se envolveu na criação dos programas e eventos que fazem o CCBU cumprir a sua missão: divulgar cultura brasileira no Sul da Flórida. Ela formou-se em arquitetura pela FAU-UFRJ (Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ) e tem um curso de pós graduação em Urbanismo pela FAU-UFMG (Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG). Em 1989 ela fundou a sua própria companhia de planejamento de interiores em Key Biscayne, Miami-Dade.

A seguir, conheça mais um pouco dessa brasileira que atua em prol dos brasileiros na Flórida, trazendo arte, cultura, informações e conhecimento.

Descreva quem é Adriana Sabino.

Sou uma brasileira-americana, residente em Key Biscayne, FL desde quando cheguei na Flórida, em janeiro de 1984. O interessante nessa história -essa aventura de vida que já tem mais de 36 anos-, começou de maneira casual. Sou carioca e recém formada em arquitetura pela FAU-UFRJ. Casei com um mineiro de Belo Horizonte e lá tive 2 filhas. Em Belo Horizonte também comecei a minha vida profissional, me tornando uma das sócias de uma firma boutique de arquitetura.

Em 1983, meu marido me propôs uma temporada de seis meses em Nova Iorque onde ele faria um curso sobre o sistema bancário americano, na NYU. Eu estava certa de que voltaria para Belo Horizonte no final desse ano. Ao final do curso meu marido apresentou outra proposta: uma temporada curta em Miami, a pedido da companhia, para averiguar oportunidades de negócios. Essa curta temporada foi se prolongando, ele criou negócios, criamos as duas filhas em Miami-Dade e continuo aqui até hoje.

Em 1996, notando o aumento de brasileiros que se mudavam para Miami e Key Biscayne, tive uma ideia, que propus ao então Cônsul Geral do Brasil, Luiz Fernando Benedini: criar um acervo de materiais sobre o Brasil no Consulado, um acervo brasileiro onde as famílias brasileiras pudessem apanhar emprestado bandeiras, trajes típicos, símbolos, mapas, para que as crianças representassem o Brasil nos dias internacionais em que as escolas locais celebram a herança cultural dos alunos. O Cônsul não só cedeu o espaço, mas sugeriu que eu fundasse um Centro Cultural, dentro das novas diretrizes do Itamaraty de transferirem para as crescentes comunidades brasileiras no mundo a representação cultural do Brasil. Encontrei um grupo de brasileiros que, como eu, acreditava que a melhor maneira de marcar presença numa comunidade multinacional como a de Miami, seria mostrando a riqueza da cultura brasileira. Em 1997, o Centro Cultural Brasil-USA da Flórida, Inc., nasceu formalmente como uma corporação sem fins lucrativos da Flórida, com status 501.c.3 (com isenção de imposto de renda). Sua missão desde então é divulgar a cultura brasileira no Sul da Flórida.

As primeiras iniciativas do CCBU foram os cursos de português como língua de herança – Origens e Raízes, criados por professoras brasileiras, especificamente para o CCBU.

Em seguida passamos a fazer parcerias com universidades, as redes de bibliotecas locais e de Broward County, outras organizações culturais, e promotores culturais para apresentar programas que mostrassem os mais diferentes aspectos da nossa cultura.

Já em 1999, fomos contatados pelo sistema escolar público de Miami-Dade para ajudá-los a criar o quinto programa bilíngue e bicultural na rede escolar pública -o programa português/inglês. A rede já oferecia os programas espanhol-inglês, francês-inglês, alemão-inglês e italiano-inglês. Durante quatro anos trabalhamos juntos e, finalmente, em 2003, foi criado o primeiro programa português-inglês, com conteúdo acadêmico brasileiro no sistema escolar público americano, na escola fundamental Ada Merritt K-8 Center. Um marco histórico na diáspora brasileira.

Como presidente do CCBU, qual é a sua mensagem para os brasileiros residentes na Florida?

Eu me orgulho muito da história pioneira do CCBU -que pode ser pesquisada no nosso website, www.centroculturalbrasilusa.org. Abrimos caminhos para a cultura brasileira em Miami e ajudamos a inseri-la na comunidade multinacional de Miami-Dade. Os alunos, brasileiros, hispânicos e americanos dos dois programas bilingues existentes na rede escolar pública -na Ada Merritt K-8 Center e na Downtown Doral Charter Schools serão, para sempre as pontes entre o Brasil e os EUA. E muitas iniciativas marcaram a presença brasileira em grandes eventos como a feira internacional do livro de Miami, em festivais de bibliotecas, em eventos comunitários.

Conte aos nossos leitores como foi a FLI MIAMI e qual é a sua expectativa para a próxima edição.

Em novembro, depois do sucesso pioneiro do primeiro Festival Literário de Miami – FLI MIAMI, estamos lançando o primeiro livro que registra as contribuições brasileiras em Miami – BRAZILinMIAMI. Outra ação pioneira que vai marcar a presença brasileira no exterior.

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