Uma longa viagem para desfrutar… em um ritmo diferente – por Ronaldo Camargo

Ronaldo Camargo

Bem, aqui estamos diante da pandemia e do isolamento provocado pelo vírus COVID-19, que teve início em Wuhan, China e, agora, somos convidados, pelo Jornal B&B, a escrever alguns pensamentos sobre como a aposentadoria tem reflexo em nossa vida como imigrante. Próximo do “fechar as cortinas de um espetáculo”, fazendo uma analogia da minha idade, aqui vão algumas mensagens -que podem ou não afetar a vida de nossos familiares- que gostaria de compartilhar com você.

Imagino que muitos de nós nunca pensaríamos no dia em que estaríamos comparando as fotos de nossa família exibidas em nossa casa. Encontraríamos lado a lado os nossos pais, avós, filhos e netos. Ou então, estaríamos mais preocupados com o que comemos (e como comemos), bebemos ou exercitamos para que possamos ser mais saudáveis ​​para desfrutar, pelo maior tempo possível, a presença de nossos filhos.

Na minha opinião, já não nos preocupamos mais como tornar a vida de nossos filhos melhor ou diferente da que tivemos quando criança. Agora, verificamos nossa conta bancária, revisamos os investimentos e percebemos que muito dinheiro gasto em ‘coisas’ que pareciam importantes na época; agora, nos vemos fazendo um ‘garagem sale’, doando às instituições de caridade ou apenas incentivando os filhos a manter essas ‘coisas’ como lembranças.

Ficamos propensos a alguma doença e também, eventualmente, temos que lidar com a perda de um ente querido da nossa família, tanto no Brasil como aqui. Isso nos faz pensar na própria morte e como precisamos lidar com ela. Em relação a esse tópico, devo dizer que aprendi uma grande lição com minha esposa do Meio-Oeste americano, em Iowa. Esta cultura me ensinou que a perda de um ente querido deve ser celebrada por seus pais e familiares. Foi uma das maiores diferenças culturais que encontrei entre os EUA e o Brasil. A morte de um membro da família -quando oportuna e esperada- é lembrada pelo lado positivo da vida de alguém que partiu: suas ações, comportamentos, atitudes, o envolvimento com a comunidade e as influências que legou a seus familiares. Gostei da experiência, e espero que, quando chegar a minha hora, haja uma celebração pela influência positiva que eu possa ter tido sobre a vida de alguém e não uma lamentação pelo término da minha vida carnal. Quero que meu espírito e atitude continuem positivamente presentes na memória dos meus antecedentes.

É ótimo chegar na idade madura e entender que a amizade, companheirismo, parceria com o cônjuge são mais importantes do que o desejo sexual e a libido do passado. Compartilhar e planejar juntos atividades para o dia, semanas ou meses, de algo que seja prazeroso de se fazer sozinho, com o parceiro ou com a presença da família. É aproveitar o que realmente importa para a felicidade, alegria e confraternização de todos.

A partir de agora, o importante é olhar ao redor e observar a energia dos jovens que chegam e nos fazem recordar da nossa infância. É perceber que fizemos a diferença, de algum modo, na vida de alguém. Os amigos que estão próximos são realmente os verdadeiros. Tornei-me ainda mais próximo de Deus e de sua fé. Compreendi que os ensinamentos de meus pais me tornaram no homem que hoje sou. Esta é a oportunidade de me ajoelhar e agradecer pela família e amigos que eu construí.

A vida tem sido ótima…e espero ainda ter uma longa viagem para desfrutar…em um ritmo diferente.

Com a neta Clara Hart