Vacina injeta ânimo na economia

Luciana Bistane

A economia vive de expectativas. E com a chegada de uma vacina, o mercado já começa a fazer planos, acredita o jornalista Adalberto Piotto, especialista e palestrante na área de economia.  

“O que perdemos com essa pandemia foi a previsibilidade, que a vacina vai devolver. Se a vacina atingir o alvo, como é o esperado, teremos uma maior estabilidade econômica”, diz ele. 

A confirmação de um reaquecimento, no entanto, vai depender de três variantes: como será o controle da pandemia daqui pra frente, qual a postura dos governantes e o comportamento das pessoas.   

Ele lembra que em relação ao consumo, que move uma alavanca importante da economia, fatores culturais das sociedades interferem. Não basta ter dinheiro em circulação, é necessário que haja desejo de consumo. Os americanos, tradicionalmente, são mais consumistas que os europeus, por exemplo.  

Outros fatores podem tornar essa recuperação mais rápida ou mais lenta. Um deles é a agilidade que cada setor terá para regularizar a falta de insumos, de matéria prima, outro problema criado pela pandemia. Mas, o mais significativo é a capacidade que cada país vai ter de superar as dificuldades.   

Os Estados Unidos, na opinião de Piotto, são uma potência nas áreas educacional e científica, diplomática, militar e econômica. O país, naturalmente, tem mais condições de reagir. Do Brasil, o jornalista destaca o agronegócio como um trunfo. Com ajuda da tecnologia, o campo está cada vez mais produtivo e preparado para atender uma demanda crescente de alimentos. Mesmo nesse ano conturbado a safra de grãos deve bater novo recorde. A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB é de 268 milhões de toneladas, principalmente de soja e milho. E é um setor que gera emprego e impostos para o governo, além de ter um peso importantíssimo na balança comercial. 

Estamos falando de previsões para 2021, mas não podemos nos esquecer que há um curto espaço de tempo até lá, com casos de Covid em alta nos Estados Unidos, Europa e boa parte da América Latina. Período a que ele se refere como “uma vírgula”. A economia, nessa segunda onda, na opinião do jornalista também vai depender muito de cada governante. O futuro presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por exemplo, já anunciou que não vai decretar o lock down, o que Piotto considera acertado. 

Seja como for, ele acredita que alguns setores não vão avançar. As empresas mais afetadas pelo coronavírus vão demorar mais a se restabelecerem, assim como deve demorar um pouco a volta dos empregos ceifados por essa crise.  

Mas, fazendo uma analogia com outros momentos difíceis que a humanidade já enfrentou, como a gripe espanhola ou a segunda guerra mundial, ele diz:  

“A dor de um corte no dedo, feito hoje, dói mais que um pé quebrado há um ano, porque o dedo está doendo agora. Mas temos que lembrar que o número de pessoas infectadas em 2020 que se recuperaram é muito maior do que os recuperados  durante a gripe espanhola. Mesmo assim, houve uma saída naquela época. E vamos encontrar também uma agora”, conclui o jornalista.

Adalberto Piotto dirige e apresenta o talk show de realidade brasileira “Pensando o Brasil”, em parceria com a TV CIEE. 

É jornalista com especialização em economia pela FEA-USP, âncora de notícias em rádio e TV, documentarista e diretor e produtor do filme “Orgulho de Ser Brasileiro”. 

É produtor e autor de séries em tv, web e cinema sobre realidade brasileira.

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