Vacinar ou não?

Luciana Bistane

Um ano depois da Organização Mundial de Saúde declarar situação de pandemia, ainda batemos na mesma tecla: um inimigo invisível nos ronda, ceifa vidas, nos assusta e mantém a nossa rotina de cabeça para baixo.

Quando os casos começaram a cair, pela primeira vez e o controle parecia estar próximo, veio a segunda onda e o mundo já enfrenta a terceira. Mesmo com a vacinação em ritmo acelerado nos Estados Unidos, a diretora do CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças, Rochelle Walensky, diz que os casos podem voltar a subir se os norte-americanos deixarem de cumprir medidas restritivas.

A essa altura, as lives permanentes já não despertam tanto interesse, o home office que, no início, parecia a melhor coisa do mundo, já não tem a menor graça; sem falar nas exaustivas reuniões em diferentes plataformas; abraços e beijos pela tela do computador, melhor que nada, é verdade, mas como era bom encontrar os amigos e as pessoas queridas da família. Apesar de almejarmos tanto que tudo isso passe, ainda não é hora de baixar a guarda.

De acordo com dados apresentados pelas farmacêuticas, fabricantes das vacinas, às agências reguladoras de saúde, só depois de quinze dias após a segunda dose é que a pessoa vai alcançar a proteção desejada, ou seja, o risco de ter covid cai entre 50% a 70%, mas não a zero.

O médico de família, Sergio Menendez, um dos nossos entrevistados desse mês, lembra que será preciso continuar dando preferência a encontros ao ar livre e não descuidar dos mais idosos, já que pode haver reinfecção, embora com menor risco de um quadro grave ou morte.

Já o pneumologista brasileiro, Roberto Rodrigues Jr. fala da situação no Brasil, que ele considera “extrema”. Atualmente, o país é o único a registrar mais de 3 mil mortes por dia. Ele explica também porque concorda com a preocupação das autoridades sanitárias mundiais que apontam o país como um provável celeiro de novas variantes.

Depois de desdenhar dos imunizantes, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro prometeu em rede nacional de televisão, acelerar o ritmo de vacinação para deter a escalada de casos e mortes. A vacina é a aposta da ciência para alcançarmos a imunidade coletiva.

A empresária Kelly Ramirez concorda. Para ela, “a vacina é a nossa salvação”. Mas também nesse quesito, as opiniões se dividem. Muitas vezes por receio ou por influência de notícias falsas, as chamadas fake news que proliferam pelo mundo, ou ainda por orientação de uma parcela de médicos que preconiza o tratamento precoce e põe em dúvida a eficácia das vacinas.

Esse é o caso da advogada Ana Alves-Lazaro, que não pretende se vacinar. Apesar de reconhecer a importância das vacinas no controle e erradicação de outras doenças, ela concorda com os cientistas que questionam a rapidez com que essas vacinas foram desenvolvidas, sem o devido tempo para avaliar possíveis reações adversas.

Que cada um tenha o direito de decidir pela própria vida é legítimo, mas torcemos para que  todos possam se conscientizar que o que cada um decide para si tem consequências para o todo.

Que as melhores previsões se concretizem e que possamos respirar livremente.

Boa leitura!

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