Vantagem Competitiva na Pandemia

Estamos vivenciando a reabertura do comércio em geral após o confinamento e isolamento, cabendo ao empreendedor a reflexão em como proceder diante desse “novo normal”. Em virtude da pandemia causada pelo Covid-19, as grandes corporações têm reinventado e redesenhado seu modelo de negócios e os pequenos empreendimentos devem buscar o mesmo caminho.

Infelizmente, temos observado na imprensa e nas redes sociais o encerramento em massa de muitas cadeias de lojas e restaurantes ou a redução drástica de redes, no chamado “downsizing”. Redes que antes baseavam seus negócios na presença física, estão adaptando sua estratégia de vendas para atingir seu público de maneira diferente. 

Uma maneira encontrada, segundo Porter (1999), de analisar e examinar a interação e a execução de todos os setores da empresa é através do estudo da cadeia de valor na qual todas as atividades de relevância estratégica para a empresa são desagregadas buscando compreender o comportamento de seus custos e encontrar potenciais de diferenciação, ganhando com isso um valor agregador para a empresa. 

A vantagem competitiva de uma empresa não pode ser observada se analisarmos a empresa como um todo e sim em seus diversos setores como produção, distribuição, marketing, suporte entre outros. Estas análises podem trazer vantagem competitiva quando se usa vantagem de custo observada em apenas um setor ou função da empresa que consegue ser eficiente. Um outro tipo de análise encontrada estuda as vantagens de diferenciação que provêm de setores diversos. 

Um ambiente de rápidas mudanças estimula a criação de um maior número de novas oportunidades de geração de vantagens competitivas. Porém à medida que o ambiente competitivo continua a mudar, as vantagens já enraizadas na empresa se enfraquecem, podendo esta vantagem desaparecer (DAY; REIBSTEIN, 1999).

São fontes de vantagens competitivas, as habilidades, recursos e controles superiores. São posições de vantagens competitivas, a formação de valor para o cliente e a diminuição de custos relativos. São resultados do desempenho causado pela vantagem competitiva, a satisfação dos clientes de fornecedores, a lealdade dos clientes e consequente aumento da participação do mercado e da lucratividade da empresa (DAY; REIBSTEIN, 1999).

Uma empresa ganha vantagem competitiva executando as atividades estrategicamente importantes com preços mais baixos ou maiores benefícios do que os seus concorrentes, oferecendo mais valor, conquistando e mantendo os consumidores. 

A Tecnologia da Informação (TI) surge como mecanismo facilitador da obtenção da vantagem competitiva auxiliando as atividades primárias da cadeia e gerando estratégias que poderão facilitar no alcance do posicionamento da empresa diante do mercado adaptado às mudanças e inovações constantes. 

Todas as atividades de valor empregam insumos, recursos humanos, tecnologia e informação para executar suas tarefas, sendo estas divididas em dois tipos gerais, atividades primárias e de apoio:

Primárias: 

Atividades envolvidas na criação do produto e na sua venda e transferência para o comprador (logística interna, operações, logística externa, marketing e vendas e serviços) (PORTER, 1999).

Apoio: 

São as atividades de tecnologia, aquisição de insumos, recursos humanos e toda a infraestrutura da empresa.Elevar o desempenho do comprador para os consumidores envolve elevar seu nível de satisfação ou atender suas necessidades e embora possa ser difícil avaliar o desempenho do comprador para os consumidores, suas cadeias de valores irão sugerir as dimensões importantes da satisfação. Por exemplo, se a melhor resolução da imagem de um smartphone resulta melhor experiência do usuário em relação aos smartphones concorrentes, o comprador estará disposto a pagar um preço-prêmio. O status e o prestígio são tão importantes quanto as características de um produto e sua qualidade. 

A diferença deve ser estabelecida quando satisfaz os critérios de importância (proporciona benefício altamente valioso para os compradores), distinguibilidade (como forma de diferenciar a empresa), superioridade (a diferença é superior as outras forma de se obter o mesmo benefício), comunicabilidade (a diferença é visível aos compradores), antecipação (dificuldade de copiar a diferença), acessibilidade (os compradores podem pagar pela diferença) e rentabilidade (a empresa pode gerar valor, obtendo com isso maior lucro para a organização) (KOTLER; ARMSTRONG, 1999). 

Analisando o aspecto global e principalmente a realidade atual do ano de 2020 com o lockdown e a pandemia o uso de tecnologias inovadoras é capaz de alterar a relação entre o escopo competitivo e a vantagem competitiva. A TI aumenta o potencial de uma empresa em coordenar atividades em termos geográficos maiores do que era alcançado, ampliando o escopo geográfico e consequentemente potencializando o alcance da vantagem competitiva. (PORTER, 1999)

Cada vez mais é inimaginável o desenvolvimento de negócios sem o uso de tecnologia da informação em seu cotidiano. A questão a ser levantada se dá principalmente entre as vantagens e desvantagens em ser o pioneiro no uso ou aplicação de novas tecnologias em qualquer segmento.

Forte abraço!

• Day, G., & Reibstein, D. (1999). A dinâmica da estratégia competitiva. Rio de janeiro: Campus.

• Ghemawat, P. (2000). A estratégia e o cenário dos negócios. Porto Alegre: Bookman.

• Kotler, P., & Armstrong, G. (1999). Princípios de Marketing. Rio de Janeiro: LTC.

• Mintzberg, H., Ahlstrand, B., & Lampel, J. (2000). Safari de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman.

• Porter, M. (1999). Competição: Estratégias competitivas essenciais. Rio de Janeiro: Campus.

• Porter, M. (1989). Vantagem Competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus.

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