Viver o “sonho” americano

Marco Alevato

Quando chegamos por essas terras; eu, a Lilian e os meninos; queríamos sair do Brasil porque havia começado o aparelhamento do PT e das esquerdas progressistas. Meus parceiros comerciais ficaram e se adaptaram. Eu e a Lilian não conseguimos nos adaptar com as coisas erradas. Isso é bom por um lado e ruim por outro. Mas isso, vou deixar vocês entenderem com a leitura. Espero ser claro e objetivo num assunto tão fácil, que é imigração. Para me entender melhor, seria legal se tivessem lido o Mito da Caverna de Platão.

Vivemos em um momento de globalização imigratória. Com a precarização do trabalho, a crise econômica, a falta de segurança, a celeridade das mudanças de paradigmas ideológicos, o Brasil vive em tempos de extrema insegurança. Tudo gera incerteza e a saída para muitos compatriotas é imigrar. Os Estados Unidos estão no topo da lista de escolha.

Os desafios na terra onde é necessário trabalhar de verdade

Os desafios para os brasileiros que decidem mudar para a América começam ainda no Brasil. Como todos sabem, é preciso ter um visto de permanência. Muita gente, sequer, tem condições de obter um dos mais de 100 tipos de vistos. Isso fez com que o número de brasileiros que tentaram entrar em território americano de forma ilegal batesse recorde. De acordo com o Centro de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, de outubro de 2018 a setembro de 2019, mais de 18 mil brasileiros foram apreendidos pelas autoridades americanas tentando entrar no país sem um visto válido. O número é 11 vezes maior que no período anterior. Números significativamente assustadores. Estas pessoas terão dificuldades para encontrar moradia, não terão acesso a saúde e, com certeza, vão ter que se acostumar com o subemprego e o medo constante da deportação.

Muitos chegam com visto válido: como turista, estudante, investidor, por ter habilidades especiais, etc… O certo é que quem não tem o sonhado green card se depara com o subemprego, crédito limitado, e outras tantas dificuldades. Para se tornar residente legal, além das taxas do departamento de imigração americano, é necessário constituir um advogado. Aí, é preciso ter bolso cheio. As custas não saem por menos de 6 mil dólares e tem gente cobrando até 30 mil dólares. Garantia de sucesso nessa empreitada? Só o tempo vai mostrar. Posso dizer que nos anos 90, era muito mais fácil a jornada imigrante, e em muitos aspectos.

Percebi nesses 24 anos que muita coisa mudou. O que mais modificou foi o nível de saturação. Como em qualquer química, atualmente, temos uma maior quantidade de brasileiros, e isso possibilita que o Brasil e seus problemas se façam mais presentes. Me assusto com algumas histórias que acontecem. Infelizmente, nossa natureza é extremamente competitiva e não associativa. Participo de alguns grupos comunitários e, a cada dia, isso se torna mais constante. O que mais me deixa indignado é a relação interpessoal entre os imigrantes brasileiros. Um relacionamento competitivo, de baixa qualidade, na base do vale tudo.

• Vale tudo para conquistar o sonho americano, nem que para isso tenha que passar por cima do próprio caráter.

• Vale tudo para ganhar dinheiro, nem que para isso tenha que dar golpe. Se a pessoa já foi passada para trás, é um tal de repassar golpes.

• Vale tudo para conquistar o mercado empreendedor, nem que para isso tenha que jogar sujo e usar o famoso jeitinho brasileiro. Só que nos Estados Unidos, para trabalhar com seriedade e honradez, não existe jeitinho.

Aqui é o país em que poste é poste, e cachorro é cachorro. Nada se confunde. Como empreendedor americano, vejo aventureiros baixando os preços e fazendo promoções apenas para pagar o próprio aluguel ou a conta do telefone. Já vi padarias, mercados, oficinas, revendedoras de carros usados, jornais, revistas e tantos outros negócios fecharem. Os chamados “empresários”, lesam os clientes, lesam a si próprios e retornam frustrados, ou pior, viram zumbis sociais. O que fazer? Bem, o melhor seria observar, arrumar um emprego, aprender inglês e, em 1 ou 2 anos sair para o mercado empreendedor. Mas muita gente não vai concordar. Sabe por quê? Por conta do “leftover”. Do que sobra das ações frustradas, sobra do estoque de LED, sobra de um carro ou uma televisão.

Meu conselho:

Cuidado! Quem não se cuida, vira comida de leão. A melhor coisa é matar o leão que aparece em sua vizinhança enquanto ele é pequeno.

É ou não é desafiador?

Boa sorte!

 

 

 

 

 

 

 

 

Marco Alevato é advogado, administrador e publicitário, pós-graduado e com MBA em Marketing. Em 1996 veio viver nos Estados Unidos. Hoje é publisher da revista Facebrasil, diretor da Powerhouse Printing, diretor da Prima Marketing, diretor da Câmara de Comércio da Central Flórida, membro do Conselho de Segurança de Orlando e do Conselho de Cidadãos, Presidente da Associação Brasileira de Imprensa Internacional.