Vovó Full Time

Recylda Passos

Me considero uma avó tradicional e coruja. Acompanho meus 3 netos desde que nasceram –dois meninos, William e Walter, hoje com 7 e 3 anos; e uma menina, Elza, com 4 aninhos. Minha outra neta, Zelda, com 1 ano, foi a única que não vi nascer por causa da pandemia. Ela mora em Nova York e só fui conhecê-la no primeiro aniversário, em maio de 2021, embora tenha acompanhado a gravidez à distância.  

Faço as comidas e sobremesas que gostam. Sou até mais severa que os pais, mas acabo cedendo – deixo comer chocolate, chupar balas, ver desenho na televisão e no telefone. Eles adoram ficar na minha casa. E até mudamos da Flórida para Kansas para ficar mais perto deles.   

Como os pais são muito ativos na educação dos meus netos, não sinto obrigação de ser uma educadora. Pelo contrário, quero que se sintam livres, como quando estão com os amigos, sem pressão, mas, claro, sempre no limite do bom senso. E eles sabem que na casa deles a pressão volta ao normal.

 Minha vida mudou radicalmente com a chegada dos netos; eu brinco, rolo no chão, até esqueço do reumatismo e dos 72 anos nas costas.  Adoro sair e viajar com eles. Os pais estão na linha de frente. Fico na retaguarda, como suporte se e quando necessário. Isso me faz sentir útil. E sempre estou disponível para cuidar dos meus netos. Acomodo minha agenda para poder estar presente em todas as atividades e aplaudir o progresso deles. É muito prazeroso quando vejo que o de 7 anos já está lendo e a de 4 já está até ensinando ao de 3 tudo o que aprende. 

Nossa relação com o mundo digital também é forte e a tecnologia nos aproxima. Durante a pandemia tiveram aulas online e eu assisti algumas de suas apresentações. Nos vimos frequentemente pelo face time. Eles ainda não usam Whatsapp ou marcam encontro pelo computador, mas falta pouco!

Para uma avó de primeira viagem eu diria que sua vida vai mudar para melhor. Mas esteja preparada para o gap de gerações, não deixe a sua experiência negar aceitação à diversidade de opiniões e decisões deles. Devemos aceitar a individualidade dos nossos netos. É um constante aprendizado.

Em Kansas, a vovó Recylda não desgruda os netinhos, William, Walter e Elza Henry
Zelda Fox, que vive em Nova York, curte a vovó Recylda pelo Facetime

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